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Jovem compositor faz sucesso com suas músicas nas redes sociais
No efervescente cenário da música independente brasileira, a vulnerabilidade tem se tornado uma moeda de troca valiosa, mas poucos artistas a utilizam com a precisão cirúrgica de Ciano Whake. Conhecido no meio artístico apenas como Whake, o músico transformou o que seriam cicatrizes de uma crise geracional em uma das trajetórias mais resilientes da cena atual, fundindo eletrônica, New age e pop em um manifesto de sobrevivência.
A trajetória de Whake não começou em grandes estúdios, mas na introspecção forçada de 2021. Enquanto o país navegava pelas incertezas do pós-pandemia, o jovem músico enfrentava o abismo entre o fim da vida escolar e as exigências do mercado de trabalho. Foi nesse cenário de pressão que ele decidiu resgatar composições de adolescência que, até então, eram segredos guardados.
Ao misturar o vigor da música eletrônica com a serenidade etérea da New age, Whake encontrou terreno fértil no SoundCloud. A plataforma, historicamente um celeiro de talentos experimentais, abraçou a sonoridade do artista, gerando um público orgânico que buscava algo além dos beats genéricos das paradas comerciais.
Para Whake, a produção técnica é indissociável da saúde mental. O artista nunca escondeu que seus sintetizadores funcionam como uma extensão de seu processo terapêutico. Em um diálogo franco com sua base de fãs, ele revelou que a música foi sua principal alternativa contra a ansiedade e a depressão.
Entretanto, o caminho não foi linear. O músico enfrentou interrupções severas devido a batalhas pessoais complexas, incluindo o convívio com a dermatite atópica e o transtorno dismórfico corporal. Essas condições, que afetam profundamente a autoestima e a percepção de si, forçaram Whake a se retirar das mídias diversas vezes para priorizar sua recuperação física e psicológica.
O ano de 2022 após um hiato para reestruturação, Whake retornou com uma visão de mercado muito mais aguçada. Em busca de liberdade criativa e controle sobre suas composições, ele criou o selo Whake.
Sob sua própria escolha, o músico expandiu seu portfólio para explorar o Pop e o Ambiente, sem nunca abandonar o pilar espiritual da New age. Essa autonomia permitiu que ele ditasse seu próprio ritmo, longe das pressões de grandes gravadoras que muitas vezes ignoram o tempo de maturação do artista.






