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02/06/2019 às 14h51

Postos fazem pressão para comprar etanol direto da usina e reduzir preço


iviagora - cgnews

Representantes dos donos de postos de combustível procuram um atalho para tentar reduzir custos e, por consequência, diminuir o preço do litro do etanol em Mato Grosso do Sul. Uma das alternativas é comprar o biocombustível direto das usinas do Estado, ao contrário do que é feito hoje, com as distribuidoras como intermediárias.

Segundo o gerente executivo do Sinpetro-MS (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Automotivos, Lubrificantes e Lojas de Conveniência do Estado de MS), Edson Lazaroto, “está existindo uma forte pressão para que o posto possa comprar direto da usina”.

De acordo com o diretor do sindicato, a ideia tem enfrentado resistência do segmento sucroenergético. “Tem o problema de logística, de fazer essa mistura [dos 27% de gasolina no etanol], que hoje é feita pela distribuidora. Isso passaria a ser feito pelas usinas, mas as usinas acham que vai encarecer”, destaca.

A rota do etanol até chegar aos postos de Campo Grande e do interior é truncada. Após o processamento nas usinas do Estado, cerca de 90% da produção é comercializada para fora, como para a refinaria de Paulínia (SP), que revende o biocombustível para todo o País. As distribuidoras de Mato Grosso do Sul são umas das clientes da refinaria. Assim, grande parcela do álcool produzido no Estado é comprado de volta para ser misturado à gasolina nas bases de distribuição antes de ser encaminhado aos postos.

O Sinpetro-MS prega que a logística complicada encarece ainda mais o litro do etanol. Além da alíquota de 25% de ICMS, tributos federais também são incorporados no preço final, como PIS, Cofins e Cide. O frete até a base de distribuição e, depois, para os postos de combustível ainda incidem no valor refletido na bomba.

O presidente da Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), Roberto Hollanda Filho, que representa as 19 usinas sucroenergéticas do Estado, defende que o impacto no preço do etanol com a compra direta entre posto e usina deve ser mínimo.

“Estamos falando de qual é a composição de valor, margem da usina, frete até a distribuidora, o custo da distribuidora. O que que você diminui com a venda direta? Já vi gente dizendo que vai baixar 20%. Isso só se a usina estiver muito perto do posto. Aí pode até ter uma vantagem. Tenho receio de que crie uma expectativa no consumidor que não vai acontecer”, expõe.